A Sabedoria Espiritual de Albert Einstein

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Algumas pessoas acreditam que ciência e espiritualidade são duas coisas completamente divergentes. Na minha visão, estes são dois opostos de uma mesma energia (Leia mais sobre a Lei da Polaridade aqui). A ciência não precisa brigar com a espiritualidade, pois no final das contas uma pode ajudar a outra.

Eu não sou o único com este pensamento, um dos maiores cientistas da humanidade teve também um lado espiritual muito forte, que podemos ver nos textos abaixo, traduzidos do site Live, Learn Evolve, cuja fonte é o livro: Einstein e o Poeta: Na Busca pelo Homem Cósmico (1983), de uma série de encontros que William Hermanns teve com Einstein em 1930, 1943, 1948 e 1954.

Meditando sobre o desconhecido com o cientista mais famoso da humanidade

Apesar de ter sido o cientista mais famoso do seu tempo, Albert Einstein sabia que nós nunca poderíamos entender completamente o mecanismo do mundo com as limitações da mente humana. Experienciando o Universo como um todo harmônico, ele encorajou a utilização da intuição para a solução de problemas, se maravilhou com os mistérios de Deus na natureza, e aplaudiu ideais de grandes mestres espirituais como Buda e Jesus.

A citação de Einstein começa…

Em busca do homem cósmico

“A escola falhou comigo, e eu falhei com a escola. Ela me chateava. Os professores se comportavam como sargentos. Eu queria aprender o que eu queria conhecer, mas eles queriam que eu aprendesse para passar na prova. O que eu mais odiava era o sistema competitivo lá, e especialmente os esportes. Por causa disso, eu não valia nada, e diversas vezes eles convidaram-me a me retirar.

Era uma escola católica em Munique, eu sentia que a minha sede de conhecimento era estrangulada  pelos meus professores; as notas eram os únicos referenciais deles. Como um professor poderia entender a juventude com um sistema destes?

Ordem no Universo, desordem na mente humana

Aos doze anos eu comecei eu comecei a suspeitar da autoridade e desconfiar dos professores. Eu aprendi mais em casa, primeiro com o meu tio e então com um estudante que vinha comer com a gente uma vez por semana. Ele me daria os livros de física e astronomia.

Quanto mais eu lia, mais confuso eu ficava pela ordem do universo e a desordem na mente humana, pelos cientistas que não concordavam com o como, o quando e o motivo da criação.

Então um dia este estudante me trouxe o livro A Crítica de Kant à Razão Pura. Lendo Kant, eu comecei a suspeitar de tudo o que eu fui ensinado. Eu não acreditava mais no Deus da Bíblia, mas sim em um Deus misterioso que se expressava na natureza.

As leis básicas do universo são simples, mas devido ao nosso juízo limitado, nós não conseguimos captá-las. Existe um padrão na criação.

Se nós olharmos para aquela árvore lá fora cujas raízes buscam por baixo do chão por água, ou uma flor que envia seu doce aroma para as abelhas polinizadoras, ou mesmo para nós mesmos e as forças internas que nos motivam a agir, nós podemos ver que todos nós dançamos de acordo com um tom misterioso, e o flautista que toca esta melodia de uma inescrutável distância – qualquer seja o nome que dermos à ele – Força Criativa, ou Deus – foge de qualquer conhecimento dos livros.

A ciência nunca está finalizada porque a mente humana utiliza somente uma parcela de sua capacidade, e a exploração do homem através do seu próprio mundo também é limitada.

Experimentando o universo como um todo harmônico

A criação deve ser espiritual na origem, mas isso não significa que tudo o que é criado é espiritual. Como eu posso explicar isso pra você? Vamos aceitar o mundo como um mistério. A natureza não é nem somente material e nem totalmente espiritual.

O homem, também, é  mais do que carne e sangue; caso contrário, não seria possível nenhuma religião. Por trás de cada causa está ainda outra causa; o fim ou o começo de todas as causas está ainda para ser descoberto.

De qualquer forma, uma única coisa precisa ser lembrada: não existe efeito sem uma causa, e nada escapa à Lei na criação

Se eu não tivesse uma fé absoluta na harmonia da criação, eu não teria tentado por trinta anos expressá-la em uma fórmula matemática. É somente a consciência do homem sobre o que ele faz com a sua mente que o eleva acima dos outros animais, e permite ele se tornar consciente de si mesmo e de sua relação com o Universo.

Eu acredito que eu possua sentimentos religiosos cósmicos. Eu nunca pude compreender como alguém poderia satisfazer estes sentimentos rezando para objetos limitados. A árvore lá fora é vida, e vida, como eu a observo, rejeita um Deus semelhante ao homem.

O homem possui infinitas dimensões e encontra Deus em sua consciência. Uma religião cósmica não possui nenhum outro dogma que não seja ensinar ao homem que o Universo é racional e que o propósito maior é compreendê-lo e co-criar com as suas leis.

Desvelando a magnificência da criação

Eu gosto de experienciar o universo como um todo harmônico. Cada célula possui vida. Matéria, também, possui vida; é energia solidificada. Nossos corpos são como prisões, e eu busco pela liberdade, mas eu não especulo o que vai acontecer comigo.

Eu vivo no aqui e agora, e a minha responsabilidade é aqui neste mundo agora. Eu lido com leis naturais. Este é o meu trabalho aqui na terra.

O mundo precisa de novos impulsos morais que eu temo que não virão das igrejas, fortemente comprometidas como elas ficaram através dos séculos.

Talvez estes impulsos devam vir de cientistas como Galileu, Kepler e Newton. Apesar das falhas e perseguições, estes homens devotaram as suas vidas para provar que o universo é uma entidade única, na qual, eu acredito, um Deus humanizado não tenha lugar.

O cientista genuíno não é movido por elogios ou acusações, nem prega. Ele desvela o universo e as pessoas chegam sedentas, sem serem empurradas, para pertencerem à uma nova revelação: a ordem, a harmonia, a magnificência da criação!

E enquanto o homem se torna consciente das estupendas leis que governam o universo em perfeita harmonia, ele começa a se dar conta de quão pequeno ele é. Ele vê a pequenez da existência humana, com suas ambições e suas intrigas, sua crença de “eu sou melhor do que você”.

Este é o começo da religião cósmica dentro dele; fraternidade e serviço humanitário se tornam os códigos morais. Sem estes fundamentos morais, nós estamos amaldiçoados e sem esperanças.

Melhorando o mundo com ideais, não conhecimento científico

Se nós quisermos melhorar o mundo nós não podemos fazer isso com o conhecimento científico, mas sim com ideais. Confúcio, Buda, Jesus e Gandhi fizeram mais pela humanidade do que a ciência fez.

Nós devemos começar com o coração do homem – com sua consciência – e os valores da consciência só podem ser manifestados pelo serviço altruísta para a humanidade.

Religião e ciência andam juntas. Como eu disse antes, ciência sem religião é manca e religião sem ciência é cega. Elas são interdependentes e possuem um objetivo em comum – a busca pela verdade.

Consequentemente é absurdo que a religião proíba Galileu ou Darwin ou qualquer outro cientista. E é igualmente absurdo quando cientistas dizem que não existe Deus. O cientista de verdade possui fé, o que não significa que ele precise se converter à alguma crença.

Sem religião não há compaixão. A alma dada a cada um de nós é movida pelo mesmo espírito vivo que move o universo.

Eu não sou um místico. Tentar descobrir as leis da natureza não tem nada a ver com misticismo, embora em vista da criação eu me sinta muito humilde. É como se um espírito se manifestasse infinitamente superior ao espírito humano. Através da minha busca na ciência eu conheci os sentimentos religiosos cósmicos. Mas eu não ligo de ser chamado  de místico.

Eu acredito que nós não precisamos nos preocupar com o que acontece depois desta vida, desde que cumpramos o nosso dever aqui – amar e servir.

Eu tenho fé no universo, porque ele é lógico. Leis suportam cada acontecimento. E eu tenho fé no meu propósito aqui na Terra. Eu tenho fé na minha intuição, a linguagem da minha consciência, mas eu não tenho fé na especulação sobre céu e inferno. Eu estou preocupado com este tempo – aqui e agora.

É a intuição que progride a humanidade

Muitas pessoas pensam que o progresso da raça humana é baseado em experiências de uma natureza empírica e crítica, mas eu digo que o conhecimento real é obtido somente através de uma filosofia de dedução. Por isso é a intuição que melhora o mundo, não apenas seguir uma trilha de pensamento já percorrida.

Intuição faz nós olharmos fatos não relacionados e então pensar sobre eles até que eles possam ser trazidos para uma lei. Buscar por fatos já relacionados significa se manter ao que alguém já fez em vez de procurar por novos fatos.

Intuição é o pai do conhecimento novo, enquanto o empirismo é nada mais do que o acúmulo de conhecimentos antigos. Intuição, não intelecto, é o “abra-te sésamos” de você mesmo.

De fato, não é o intelecto, mas a intuição que avança a humanidade. Intuição diz ao homem o propósito de sua vida.

A mente intuitiva é um dom sagrado e a mente racional é um servo fiel.

Nós criamos uma sociedade que honra o servo e se esqueceu do dom.

Eu não preciso de nenhuma promessa de eternidade para ser feliz. Minha eternidade é o agora. Eu tenho somente um interesse: cumprir o meu propósito aqui aonde eu estou.

Este propósito não é dado para mim pelos meus pais ou conhecidos. Ele é induzido por alguns fatores desconhecidos. Estes fatores fazem de mim uma parte da eternidade.

~Albert Einstein