Se você quer um amor de verdade, reflita sobre este texto!

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Uma das grandes questões que eu sempre me deparo nos atendimentos envolve justamente os relacionamentos. Curar as relações é um passo muito importante no desenvolvimento evolutivo da humanidade, tanto pessoalmente quanto coletivamente.

O texto abaixo nos ajuda a refletir. A parceria em um relacionamento deve agregar, e não vir para “tapar buracos”. Somente sendo plenos poderemos viver um relacionamento pleno.

OSHO – Amor e Liberdade

Uma pessoa realmente consciente é aquela que tem a capacidade de viver só. Porém, isso é apenas metade da verdade. A outra metade é esta: uma pessoa que realmente consegue estar só também é capaz de estar com alguém. Na realidade, só uma pessoa assim é capaz de estar unida a outra.
Uma pessoa que não consegue estar só consigo mesma nunca vai conseguir estar com alguém, pois não tem individualidade. Uma pessoa sem individualidade é incapaz de estar junto de outra. O motivo? Existem vários. Pra começar ela está sempre com medo de que, caso se aproxime demais de alguém, vá perder a si mesma. Como ainda não está inteira, como ainda não tem a si mesma, ela só consegue ter uma coisa: medo.
É por isso que as pessoas temem o amor, e se apavoram com um amor profundo. Elas tem medo de se aproximar demais porque sentem que, caso façam isso, poderão ser dissolver no outro – o medo é esse. Pode ser que o outro as domine, que ele se torne o centro da vida delas, que elas sejam possuídas por ele – esse é o medo.
Apenas quem conhece a beleza de estar só é capaz de se aproximar tão intimamente quanto possível de outra pessoa, pois não sente medo. Ele sabe que é alguém, o seu próprio ser está integrado. Em seu interior já existe algo que atingiu a realização, afinal, se não fosse assim, ele não conseguiria estar só. Existe ainda um segundo aspecto: quando uma pessoa não consegue estar só, permanece sempre dependente dos outros. Ela se apega ao outro de todas as formas possíveis – pois morre de medo de ser abandonada e, assim, ter que enfrentar a solidão. Assim, ela se apega ferrenhamente e explora o outro como pode criando todo tipo de amarras em volta dele.
Porém, sempre que tentamos possuir o outro, ao mesmo tempo somos possuídos por ele. É uma via de mão dupla. Quando você transforma o outro num escravo, ele faz a mesma coisa com você. Quando tem muito medo que a outra pessoa o abandone, você se dispõe a fazer todo tipo de concessões, você aceita qualquer coisa.
É isso que acontece com todos os maridos e esposas. Eles se submetem a esse jogo de concessões, vendem a própria alma e tudo por uma única razão: não conseguem estar sós. Temem que a mulher os deixe, que o marido as abandone e… Então, o que será? A simples ideia de que isso possa acontecer é assustadora demais, já os apavora. A capacidade de estar só é a capacidade de amar. Pode soar paradoxal, mas não é. Isso é uma verdade existencial: apenas as pessoas que são capazes de estar sós são capazes de amar, de compartilhar, de mergulhar até o ãmago mais profundo de outra pessoa – tudo isso sem possuir o outro, sem tornar-se dependente dele, sem reduzir-lo a um objeto, sem fazer dele um vício. Elas dão liberdade absoluta ao outro, pois sabem que, se ele partir, continuaram tão felizes como eram. A sua felicidade não pode ser tirada pelo outro, pois não foi dada por ele.
Agora, se é assim, porque então essas pessoas desejariam estar juntas? Simples – porque já não é uma necessidade, é um luxo. Procure compreender. O amor de pessoas autênticas é um luxo, e não uma necessidade. Elas adoram compartilhar: elas já trazem tanta alegria dentro de si que desejam que toda essa alegria também se derrame em outra pessoa. Elas sabem levar a vida com a mesma alegria de quem toca um instrumento.
Um flautista sabe muito bem como se alegrar tocando sua flauta sozinho. Porém, se ele cruzar com algum tocador de percussão pelo caminho – um solista que também esteja realizado com seu instrumento -, os dois vão se divertir imensamente juntos, tocando e criando uma bela harmonia entre a flauta e a percussão. Ambos vão se alegrar, ambos vão compartilhar a riqueza que trazem dentro de si, derramando-a um no outro.

A questão é que a nossa sociedade é formada por pessoas carentes, pessoas que, de uma forma ou de outra, são todas dependentes. Veja bem, os filhos são dependentes dos pais -sim, mas lembre-se: os pais também são dependentes dos filhos. Mesmo que não seja algo tão óbvio, é assim que as coisas são: basta observar um pouco melhor. Por exemplo, as mães não conseguem ficar longe dos filhos. É claro que uma criança não consegue ficar sem a sua mãe, isso é natural, mas a mãe também não consegue ficar longe da criança.

Os membros de uma família são todos dependentes entre si, eles se apegam uns aos outros. Isso lhes traz uma sensação de conforto, de segurança, de proteção. Toda família, por sua vez, também é dependente das outras famílias. As pessoas são dependentes das instituições religiosas, dos clubes, das associações. Vivemos em um imenso Planeta repleto de pessoas dependentes, de adultos imaturos.

As pessoas precisam ser verdadeiras. Se sentirem-se bem juntas, ótimo. Mas, caso sintam que não estão crescendo mais, que não estão amadurecendo, é melhor dizer adeus. Nesse caso, elas se afastarão com toda a gratidão, Pois compartilharam algo muito bonito, algo de que vão se lembrar com carinho pelo resto da vida – mas elas sabem o que chegou a hora de partir. Viveram com alegria, e agora se despedem com alegria; sua amizade permanece intacta. E pode ser até que, um dia, elas se reencontrem, que vivam juntas de novo. Pois elas não se ferem, não deixam cicatrizes uma na outra – cada uma respeita a liberdade da outra.

É importante ter a capacidade de estar só, e ao mesmo tempo, de estar com alguém – como ter a capacidade de tocar um instrumento solo e, também de tocar numa orquestra.